Cratera avança em Valparaíso e ameaça BR-040; obras seguem paradas mesmo após liberação de R$ 9 milhões

Um mês após a liberação de R$ 9 milhões em recursos federais para conter a enorme cratera que se formou às margens da BR-040, em Valparaíso de Goiás, nenhuma obra emergencial foi iniciada. A voçoroca, que já ultrapassa os 500 metros de extensão e atinge cerca de 20 metros de profundidade, segue avançando em direção à rodovia — considerada uma das mais importantes do Centro-Oeste — e ameaça também uma linha férrea utilizada para o transporte de combustíveis.

De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), ainda estão sendo realizados estudos preliminares para elaborar o projeto de contenção. A autarquia informou que pretende executar uma intervenção paliativa antes do próximo período chuvoso, mas não estabeleceu qualquer prazo para o início efetivo da obra definitiva, que ainda depende de licitação.

Enquanto isso, o cenário ao redor da cratera só piora. A erosão expõe moradores, motoristas e trabalhadores da região a riscos diários. A água parada no fundo da formação, com aparência de esgoto, representa também uma ameaça à saúde pública — condição propícia à proliferação de doenças como a dengue.

A obra de contenção foi classificada como prioritária desde que Valparaíso decretou estado de calamidade pública em maio deste ano. A liberação de recursos foi anunciada após reunião com autoridades locais e federais. No entanto, o impasse entre Prefeitura, Ministério Público e órgãos responsáveis tem atrasado a execução das ações.

A especialista em reabilitação urbana e drenagem sustentável, Paloma Ludmyla, explica que o avanço da erosão é agravado por fatores como a urbanização desordenada e a ausência de sistema de drenagem. Ela defende que, além da contenção emergencial, são necessárias soluções estruturais, como a construção de bacias de retenção e requalificação ambiental da área.

“A solução precisa ir além do paliativo. A região precisa de um projeto definitivo com planejamento urbano, respeito às características ambientais e ações preventivas para evitar novas erosões”, afirma.

Segundo relatos, a área atingida chegou a ser cogitada, em gestões anteriores, para a criação de um parque ambiental — proposta que nunca saiu do papel. Enquanto isso, a voçoroca continua a crescer, sem previsão de contenção e sob o olhar apreensivo de milhares de pessoas que dependem diariamente da BR-040.

Da redação – Jornal O Grito.


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