Conversas e arquivos do WhatsApp detalham funcionamento de esquema de agiotagem em Luziânia

A TV Globo mostrou com exclusividade detalhes do esquema de agiotagem comandado pelo sargento da Polícia Militar de Goiás, Herbert Póvoa, preso durante a investigação da Polícia Civil. O inquérito, que possui mais de 800 páginas, revela que os investigadores tiveram acesso ao conteúdo completo do celular do sargento após a quebra de sigilo autorizada pela Justiça. Ao todo, foram analisadas quase 5 mil conversas no WhatsApp e mais de 600 mil arquivos, entre fotos, áudios e vídeos.

Segundo a investigação, Póvoa utilizava dois números de telefone — um identificado como “Pablo”, usado para a agiotagem, e outro como “Mike Póvoa”, nome pelo qual era conhecido em Luziânia. Em um grupo de WhatsApp chamado “Factory Credi Fácil”, o esquema funcionava como um banco ilegal. Clientes pegavam empréstimos com juros que variavam de 10% a 30% ao mês. Uma das mensagens analisadas mostra que um empréstimo de R$ 2 mil, dividido em quatro parcelas, resultava em uma dívida final de R$ 2.800. Junto às anotações, sempre constavam os endereços dos devedores para facilitar cobranças.

Os depósitos dos valores eram direcionados para a conta de José Lindolfo, apontado como braço direito de Póvoa, que também está preso. Apenas entre 2023 e 2024, foram movimentados mais de R$ 2 milhões na conta dele. Em setembro de 2023, a soma total das dívidas dos clientes ultrapassava R$ 82 mil, mas o próprio Póvoa afirmava que atendia mais de 150 pessoas.

Outros policiais militares também foram citados. O soldado José Ronan Ferreira Lustosa e o sargento Miguel Roberto Mendonça foram presos. Ronan, segundo as investigações, captava novos clientes e realizava cobranças violentas. Ele chegou a oferecer a própria conta bancária para servir de “laranja” no esquema. Em mensagens, o grupo discutia como evitar suspeitas e mantinha a orientação de não ostentar riquezas.

O inquérito ainda cita a participação de Adriano Bezerra da Silva e Gabriel Souza Bispo de Oliveira — que não foram presos. Adriano usava suas contas bancárias para movimentar valores, enquanto Gabriel atuava como cobrador e captador de novos clientes. A Polícia Civil também apontou Tatiane Meireles, esposa de Póvoa e advogada, como uma das líderes do grupo. Ela participava diretamente das cobranças e também está presa.

O grupo buscava ampliar sua influência na região do Entorno. No ano passado, Póvoa chegou a disputar uma vaga para vereador, mas não foi eleito. Empresários de Luziânia, Daniel e Edson Alfa, também estão presos por financiar as operações do esquema.

As defesas de alguns investigados negam participação nos crimes, enquanto outros ainda não foram localizados para comentar.

Da redação – Jornal O Grito.


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