Cadê o cobrador? Retirada de cobradores gera críticas de usuários de ônibus no Entorno do DF
Quem utiliza o transporte público nas cidades do Entorno do Distrito Federal já percebeu uma mudança significativa na rotina dos deslocamentos: a retirada dos cobradores dos ônibus. Empresas que operam na região, como a UTB (União Transporte Brasília), Viação Catedral e Central Expresso, que atendem municípios como Luziânia, Cidade Ocidental e Valparaíso de Goiás, vêm promovendo, nos últimos meses, a substituição desses profissionais, transferindo a cobrança da passagem para o motorista.
De acordo com relatos de passageiros e trabalhadores do setor, uma boa parte que circulam nessas cidades já operam sem a presença do cobrador. Embora a mudança não tenha ocorrido em todas as rotas, ela já faz parte do dia a dia de quem depende diariamente do transporte coletivo para se deslocar entre o Entorno e o Distrito Federal.
A retirada dos cobradores tem gerado preocupação entre os profissionais da categoria. “Sou cobradora há 20 anos e hoje a gente não sabe o que vai acontecer. Os poucos que ainda restam vivem na expectativa”, relata uma trabalhadora do setor. Segundo ela, muitos cobradores estão sendo demitidos, enquanto uma parte menor consegue ser realocada para outras funções dentro das empresas, como motorista, fiscal ou áreas administrativas.
Do ponto de vista dos usuários, a principal crítica está relacionada aos atrasos nas viagens. A situação se torna ainda mais evidente quando vários passageiros realizam o pagamento da tarifa em dinheiro. Nesses casos, o ônibus permanece parado por mais tempo nos pontos e corredores, enquanto o motorista confere valores e realiza o troco. “Não é só uma pessoa pagando, são várias. Aí o ônibus demora, atrasa a viagem e prejudica todo mundo”, reclamam passageiros que utilizam o serviço diariamente.
Outro ponto levantado pelos usuários é o acúmulo de funções do motorista. Passageiros afirmam que o profissional já precisa lidar com o trânsito intenso, o fluxo elevado de veículos e a atenção aos passageiros, e ainda passa a ser responsável pela cobrança da passagem. “O motorista está focado no trânsito e, ao mesmo tempo, tem que cobrar a tarifa. Isso acaba atrasando muito”, relatam.
Como alternativa, as empresas têm incentivado o uso do cartão de transporte, com o objetivo de reduzir o pagamento em dinheiro e agilizar o embarque. No entanto, usuários afirmam que nem todos possuem o cartão ou conseguem recarregá-lo com facilidade, o que mantém a cobrança manual em muitos trajetos.
Da redação – Jornal O Grito.
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