Alunas de Luziânia são semifinalistas do Solve for Tomorrow com projeto científico usando o jatobá-do-cerrado
Um grupo de três alunas do CEPI Colégio Estadual Osvaldo da Costa Meireles, em Luziânia (GO), está entre os 30 semifinalistas da 13ª edição brasileira do Solve for Tomorrow, programa de Cidadania Corporativa da Samsung, com coordenação geral do Cenpec no Brasil, que incentiva estudantes e professores da rede pública de ensino a desenvolverem soluções para desafios reais da sociedade a partir da abordagem STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Sob orientação da professora Gabrielle Rosa Silva, a equipe do 3º ano do ensino médio tem trabalhado na criação de produtos a partir do jatobá-do-cerrado, fruto típico da região, a fim de valorizar a biodiversidade local e explorar seu potencial para aplicações sustentáveis.
O projeto ‘Desenvolvimento e caracterização de bioplástico e larvicida’ surgiu a partir de uma aula da disciplina de Biotecnologia e busca aproveitar diferentes componentes do fruto para a criação de dois bioprodutos: um bioplástico e um larvicida que age contra o desenvolvimento de larvas do mosquito Aedes aegypti.
Como o jatobá-do-cerrado é transformado em bioplástico e larvicida
A partir da polpa, rica em amido, as estudantes desenvolvem um bioplástico com potencial de aplicação na moda e no cotidiano, que pode ser utilizado na produção de brincos, acessórios e outros elementos. A ideia é que, futuramente, o material possa até mesmo ser transformado em tecido. Já a casca do fruto é utilizada para produzir um extrato fitoquímico com ação larvicida, pensado para atuar em focos de água onde se desenvolvem as larvas do Aedes aegypti, mosquito transmissor de doenças como dengue e zika.

Segundo Gabrielle Rosa Silva, professora e orientadora do grupo, a iniciativa nasceu do desejo de olhar para as riquezas naturais presentes na região e transformá-las em oportunidades de desenvolvimento. “Pensamos no que temos na região para enfatizar nossas riquezas por meio de produtos. O jatobá é um fruto que tem muito amido, então começamos a trabalhar com ele para produzir o bioplástico. A casca também tem componentes que podem ser utilizados para a questão do controle das larvas. Assim, conseguimos trabalhar com dois propósitos diferentes a partir de um mesmo fruto”, explica a educadora.
O desenvolvimento do projeto começou em 2024 e acompanha a sazonalidade do jatobá-do-cerrado. Durante o período em que o fruto está disponível, as estudantes realizam a coleta e produzem materiais que podem ser armazenados para continuidade dos trabalhos ao longo do ano.
Atualmente, a equipe está concentrada no aprimoramento do bioplástico, realizando testes relacionados à umidade, degradação, textura, maleabilidade e rigidez. A intenção é compreender melhor as características do material e ampliar suas possibilidades de aplicação.
“A participação no Solve for Tomorrow tem nos ajudado a ter um norte sobre o que precisamos fazer ao longo das semanas. A mentoria tem sido essencial para alinharmos nossas ideias e entender que não precisamos fazer tudo de uma vez. Agora podemos focar no bioplástico, melhorar o que já temos e pensar em aplicações que realmente possam ser desenvolvidas dentro da nossa realidade”, explica a educadora.
“A valorização dos recursos naturais e o desenvolvimento de soluções a partir das características de cada território são aspectos muito importantes em projetos de inovação com impacto social. Ao transformar uma riqueza do Cerrado em matéria-prima para novos produtos, as estudantes de Luziânia demonstram como a ciência pode contribuir para ampliar o olhar sobre a biodiversidade e, ao mesmo tempo, criar possibilidades concretas para a comunidade”, afirma Helvio Kanamaru, Diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina.
“Experiências como essa ampliam as possibilidades de os estudantes se reconhecerem como sujeitos capazes de produzir conhecimento e fazer ciência. Quando meninas de uma escola pública de Luziânia investigam o potencial de um fruto do Cerrado e transformam essa investigação em um projeto científico, elas também estão ampliando seus próprios horizontes. É papel da educação garantir que estudantes de diferentes territórios tenham acesso a essas experiências e possam desenvolver os conhecimentos necessários para participar da construção de novas soluções para a sociedade”, afirma Beatriz Cortese, diretora executiva do Cenpec.
Além do potencial de aplicação dos produtos desenvolvidos, Gabrielle destaca que o projeto já provoca mudanças na trajetória das próprias estudantes. Para ela, a experiência com a ciência contribui para o desenvolvimento de habilidades e para que as alunas passem a enxergar novas possibilidades para o futuro.
“Uma das meninas entrou na 1ª série muito tímida e, participando da iniciativa, aprimorou a oratória, o pensamento crítico e a capacidade de desenvolver projetos. Elas passaram a querer fazer ciência e isso é importante para formar pessoas críticas, capazes de observar e transformar a realidade. O futuro delas pode ser diferente, e essa experiência também enriquece a futura carreira profissional delas”, conclui.
Para a educadora, estar entre os 30 semifinalistas da 13ª edição também representa uma oportunidade de vivenciar uma experiência que vai além dos resultados do projeto. “Participar do programa é transformador. Quando terminarem, elas não serão as mesmas meninas. Já estamos vendo o quanto estão animadas para trabalhar no diário de bordo, pensar e decidir o que vão produzir. A expectativa não é apenas ganhar, mas aproveitar essa participação, que está sendo muito enriquecedora”, finaliza Gabrielle.
O Solve for Tomorrow Brasil é uma iniciativa da Samsung voltada a estudantes do Ensino Médio de escolas públicas. O programa utiliza a abordagem STEM, que integra Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, além de metodologias como a Aprendizagem Baseada em Projetos.
Nesta edição, 30 projetos foram selecionados para a etapa semifinal. Os dez finalistas serão anunciados em 16 de outubro. A votação do Júri Popular está prevista para começar em 23 de novembro, e os vencedores por categoria serão anunciados em 8 de dezembro.
Da redação – Jornal O Grito.
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