São Pedro espirrou — e, como de costume, Valparaíso de Goiás alagou

Bastava um pigarro tímido no céu, uma nuvem mais carregada, um pingo mais insistente… e pronto. A água encontra caminho fácil — não porque quer, mas porque a cidade, há tempos, não oferece outro destino. Falta infraestrutura, sobra improviso.

Quando a chuva vem, mesmo que pouca, ela não cai: ela invade. Entra sem cerimônia nas casas de quem já perdeu a conta de quantas vezes teve móveis erguidos às pressas. Moradores que vivem com o olho no
tempo e o coração na mão, sabendo que qualquer mudança no céu pode virar prejuízo no chão.

Na rua, o cenário se repete como um filme antigo. Pedestres encaram enxurradas como quem atravessa um desafio diário — não é escolha, é necessidade. Sapato encharcado, calça suja, dignidade testada a cada passo. Já os motoristas assistem seus carros virarem ilhas, presos em meio a ruas que deixam de ser ruas e passam a ser correnteza.

E o problema não é a chuva. Nunca foi.

O problema é o que não foi feito quando o sol estava brilhando. É o escoamento que não dá conta, o planejamento que não saiu do papel, a infraestrutura que ficou na promessa. A água só revela, escancara o que já estava ali: o descaso.

Enquanto isso, os governantes parecem assistir de longe, como se o problema fosse passageiro — como uma garoa qualquer. Mas para quem mora em Valparaíso, não é passageiro. É rotina. É medo. É prejuízo. É cansaço.

E assim, entre um “espirro” e outro, a cidade segue resistindo. Porque se o céu insiste em cair, o povo insiste em levantar — mesmo quando tudo ao redor parece afundar.

E, no fim das contas, alguns colocam a culpa em São Pedro — o mais conhecido na cultura católica como o “santo da chuva”, que decide quando o céu abre ou desaba. Mas, por aqui, a verdade é outra: não é o santo que exagera… é a cidade que nunca esteve preparada.

Diego Alves – Jornal O Grito


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