Deputados estaduais destinam 131 milhões entre as 4 cidades do Entorno Sul; Cidade Ocidental recebeu apenas 7 milhões

Os números não mentem —e, neste caso, escancaram um abandono. Dados do Portal da Transparência da Assembleia Legislativa de Goiás revelam uma disparidade revoltante na distribuição de recursos estaduais: enquanto municípios vizinhos acumulam milhões, Cidade Ocidental é tratada como coadjuvante, recebendo apenas o que sobra.

Entre 2020 e 2025, Luziânia recebeu cerca de R$ 67 milhões em emendas parlamentares. Novo Gama ficou com R$ 29 milhões, e Valparaíso de Goiás com R$ 28 milhões. Já Cidade Ocidental, no mesmo período, recebeu míseros R$ 7 milhões. Não se trata apenas de diferença — é um abismo que evidencia o peso político desigual dentro do próprio estado.

E a explicação é tão simples: Cidade Ocidental não tem representantes eleitos na Assembleia Legislativa. Sem voz, sem força política, sem prioridade. Enquanto isso, municípios vizinhos colhem os frutos de uma representação ativa. Valparaíso conta com deputada estadual e federal. Luziânia tem dois deputados estaduais e um federal. Coincidência? Difícil acreditar.

A ausência de lideranças locais no parlamento transforma a cidade em território de políticos “paraquedistas”, que aparecem em época de campanha com promessas vazias e desaparecem assim que as urnas se fecham. O resultado é previsível: investimentos escassos e uma população que segue sendo negligenciada.

Mesmo diante desse cenário de abandono, Cidade Ocidental conseguiu avançar em áreas importantes como segurança pública e educação. Isso expõe uma contradição gritante: se com quase nenhum apoio estadual já houve progresso, o que poderia ser alcançado com investimentos justos?

A realidade atual não é fruto do acaso — é consequência direta da falta de representatividade e de escolhas políticas que precisam ser revistas. Com as eleições se aproximando, o discurso de mudança volta à tona, mas a pergunta permanece: até quando a população vai aceitar migalhas?

O nome do ex-prefeito Fábio Correa surge como alternativa, e o debate sobre eleger um representante da cidade ganhou força. Mais do que uma opção, isso se apresenta como uma necessidade urgente para romper o ciclo de invisibilidade política.

Cidade Ocidental não pode continuar sendo lembrada apenas em período eleitoral. Chegou a hora de deixar de ser figurante no jogo político goiano e exigir o que é básico: respeito, investimento e representatividade real.

Texto: Colunista Diego Alves – Jornal O Grito.


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