Durante júri popular em Luziânia, promotor usa galho como “cajado” e repercute nas redes
Um julgamento do Tribunal do Júri realizado em Luziânia, ganhou repercussão não apenas pelo desfecho, mas também pela atuação do promotor de Justiça Douglas Chegury. O júri, que durou três dias — um dos mais longos já registrados na cidade — terminou com a absolvição do fazendeiro Cleiton da Silva Gomes e de seu caseiro, Jocivaldo Ribeiro de Abreu.

Durante a sessão, um momento em especial chamou a atenção: o uso de um galho de árvore como “cajado” pelo promotor durante sua sustentação oral. O objeto foi recolhido no local do crime durante uma diligência externa realizada no primeiro dia do julgamento, quando jurados, juiz, advogados e integrantes do Ministério Público deixaram o fórum e seguiram até a Fazenda Santo Antônio da Boa Vista, na zona rural, para esclarecer pontos sobre a dinâmica dos fatos.
De volta ao plenário, Douglas Chegury incorporou o galho à sua argumentação, utilizando-o como elemento simbólico para ilustrar a narrativa apresentada aos jurados.
O caso
De acordo com a acusação, três jovens foram até a Fazenda Santo Antônio da Boa Vista após contato com o caseiro. Ao chegarem ao local, teriam sido surpreendidos por disparos de arma de fogo. João Cláudio morreu, enquanto os outros dois conseguiram fugir.
A Promotoria sustentou que o caso poderia se tratar de uma emboscada e apontou a possível participação do proprietário da fazenda. Também levantou dúvidas sobre a arma utilizada no disparo fatal, indicando que o tiro teria sido feito por um revólver calibre 38, que não foi encontrado.
Já a defesa apresentou uma versão distinta. Segundo os advogados, os jovens entraram na propriedade por um trajeto incomum, pelos fundos, após romperem cadeados. A tese defendida foi a de legítima defesa, sob o argumento de que os acusados reagiram a uma invasão.
Diligência e divergências
Durante a instrução, depoimentos divergentes dos sobreviventes sobre o caminho percorrido até a fazenda levaram a uma medida incomum: uma diligência no local do crime.
Jurados, juiz, promotores e advogados foram até a propriedade para verificar, na prática, os trajetos apresentados pelas partes. O objetivo foi esclarecer se os jovens teriam utilizado um caminho habitual ou um acesso mais isolado, pelos fundos da fazenda — ponto central para sustentar as teses de acusação e defesa.
Debates e atuação do promotor
O terceiro dia foi marcado pelos debates entre acusação e defesa, com momentos de forte impacto no plenário.
O Ministério Público manteve a linha de que os acusados teriam participação no crime e questionou a versão apresentada. Durante a sustentação, o promotor utilizou um pedaço de madeira — semelhante ao que havia sido usado na diligência — para ilustrar a dinâmica dos fatos.
Em um dos momentos que mais chamaram atenção, ele fez uma encenação para criticar o volume de provas apresentado pela defesa, classificando o material como uma “cortina de fumaça”. Ao som de diferentes áudios, ironizou a dificuldade de identificar elementos relevantes no conjunto apresentado.
A atuação, considerada teatral por quem acompanhava o julgamento, foi uma das mais comentadas ao longo dos três dias.
Estratégia da defesa e desfecho
A defesa, por sua vez, reforçou a tese de legítima defesa e destacou que a perícia indicou que o disparo fatal não partiu das armas dos acusados.
Um dos pontos mais impactantes foi a apresentação de uma gravação telefônica em que um dos advogados da acusação teria afirmado, antes do julgamento, não acreditar na culpa de um dos réus. O conteúdo foi exibido aos jurados e gerou forte repercussão no plenário.
Após as sustentações, acusação e assistência não apresentaram réplica.
Ao final, os jurados acolheram a tese da defesa e decidiram pela absolvição dos dois acusados.
Da redação – Jornal O Grito.
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