Justiça dá 30 dias para polícia concluir inquérito sobre morte de jovem em ação da Rotam em Novo Gama

A Justiça de Goiás determinou que a Polícia Civil (PCGO) conclua, no prazo máximo de 30 dias, o inquérito e todas as diligências pendentes sobre a morte de Yan Pablo Florêncio dos Santos, de 23 anos. O jovem foi morto a tiros durante uma ação de policiais militares da Rotam em Novo Gama, no Entorno do Distrito Federal.

A decisão foi assinada pela juíza Sylvia Amado P. Monteiro, da Vara Criminal da comarca do município, após um pedido do Ministério Público de Goiás (MP-GO). O órgão solicitou novas apurações antes de decidir se oferece ou não denúncia contra os agentes envolvidos.

Com a determinação, os autos foram encaminhados ao Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Novo Gama.

O confronto

O caso aconteceu no dia 3 de março de 2025. Segundo a versão oficial da Polícia Militar, equipes da 4ª Companhia da Rotam receberam informações do serviço de inteligência de que Yan Pablo, suspeito de um homicídio semanas antes, estaria transportando drogas em um Fiat Palio branco na região da Vila Guaíra.

A corporação afirma que os policiais deram ordem de parada, que foi desobedecida, dando início a uma perseguição. De acordo com o registro policial:

  • O jovem perdeu o controle do veículo no setor Chácaras Vale das Andorinhas;
  • Ao descer do carro, ele teria atirado contra os militares;
  • Dois policiais reagiram: um tenente efetuou cinco disparos e um cabo realizou quatro;
  • Yan Pablo foi socorrido pelo Samu e levado à UPA de Novo Gama, mas não resistiu.

No interior do veículo, os militares relatam ter apreendido cerca de 10 kg de maconha, além de uma pistola calibre .40 com numeração raspada e nove munições intactas que teriam sido usadas pelo jovem. Segundo as autoridades, ele possuía antecedentes criminais por homicídio, tráfico e furto.

Família contesta versão

Apesar do relato dos policiais, a família da vítima e o assistente de acusação contestam a narrativa oficial e apontam para a possibilidade de uma ação violenta com interesses pessoais por parte dos agentes.

Em agosto do ano passado, a 5ª Promotoria de Justiça de Novo Gama solicitou que o caso fosse enviado para a Justiça comum, por se tratar de crime doloso contra a vida de um civil.

Até o momento, o relatório final do inquérito conduzido pela própria Rotam indicou indícios de autoria contra os dois policiais por homicídio simples, mas apontou que a conduta estaria amparada por excludente de ilicitude (legítima defesa e estrito cumprimento do dever legal).

Os familiares aguardam desde setembro de 2025 pelo parecer definitivo do Ministério Público, que agora depende do resultado das novas investigações da Polícia Civil para definir se o caso irá ou não a júri popular

Da redação – Jornal O Grito.


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